DRM, que direito é este ?
Uma questão bastante presente hoje é o gerenciamento digital de direitos autorais. Mas que direito é este ?
Parece-nos óbvio com nossa cabeça de sociedade cristã ocidental do início do século XXI que uma obra pertence a seu autor. Mas porque será que é assim ?
“Porque é justo, ora bolas.” você me dirá.
E o que é justo ? Quanto você utilizou da cultura da sociedade onde vive, de anos de pensamento, teorias científicas, interações sociais para se construir como uma pessoa ? E quanto desta mesma fonte você utilizou para dar sua contribuição. Quando Newton disse: “Se eu vi mais longe foi porque eu estava sobre os ombros de gigantes” ele estava apenas dando o devido valor ao trabalho dos seus predecessores.
Então como pode ser justo você acrescentar seus dois centavos a esta herança milionária e chamar de sua ? Mas os direitos autorais, patentes e cia estão ai, e não é a toa que foram criados.
A mesma sociedade que te fornece toda a matéria-prima também percebeu há um tempo atrás que ela se beneficia do produto do seu trabalho, principalmente se ele for inovador. E portanto é interessante criar instrumentos para incentivar a produção cultural (direitos autorais), e evolução científica(patentes), permitindo que você coloque uns caraminguás no bolso além da satisfação por um bom trabalho realizado. Mas não podemos perder de vista que a verdadeira função econômica da patente e dos direitos autorais é promover o desenvolvimento cultural e social.
Então o que é o movimento do software livre ? Apenas alguns malucos que acham que se todo mundo compartilha seu código-fonte a computação como ciência, e os produtos gerados por ela tendem a se desenvolver mais rápido.
A grande questão é saber então pesar como estes direitos tem que ser concedidos, sob quais condições, por quanto tempo, etc, etc, etc. A sociedade muda, as relações mudam e os direitos autorais também tem que mudar.
Mas para sair da discussão filosófica que não é o foco primário deste blog e voltar para a “segurança” que aí está eu deixo a melhor apresentação que já vi sobre o assunto que foi feita pelo Cory Doctorow, que é um escritor de livros, “embaixador” da EFF na Inglaterra e escreve em um dos blogs mais famosos do mundo o BoingBoing. Uma palestra que ele ministrou na Microsoft na versão em português ou inglês (aqui tem até o vídeo).
Voltamos a parte técnica. Já que existe o direito e já que no mundo digital é assim tão fácil copiar surgiu a idéia de proteger o conteúdo através da tecnologia. Mas que tecnologia ?
Que tal criptografar o conteúdo ?
A criptografia é uma tecnologia que serve para enviar uma mensagem da pessoa A para a pessoa B (Alice e Bob ? ) sem que outra pessoa E (Eve ? ) no meio do caminho consiga ler. Para tal existem algoritmos que em geral requerem uma chave para individualizar a sessão. O conhecimento da chave por Alice e Bob é que garante o entendimento. Mas pensa bem, quem é o Eve nesta história ? Não é o Bob ? Hmmm… então eu quero te vender um DVD e você pagou pelo conteúdo, logo tem que ver. E eu encripto o conteúdo para protegê-lo de você ? Já deu para entender sem entrar em detalhes técnicos que isto não vai dar certo. Bom… isto é de uma forma simples o motivo pelo qual eu acho que ele não funcionou e nem nunca funcionará.
Deixa eu ficar por aqui hoje.